Tempo de mudo

8 06 2009

Houve um tempo, em que havia um sorriso no ar, um brilho no
olhar, um desejo de estar.
Houve um tempo em que estrelas circulavam nossos sonhos, em
que a lua refletia letras de canções que para mim serão eternas.
Houve um tempo em que o silêncio de nossos corpos espelhavam o
calor de nossas palavras.
Houve um tempo ainda, em que um simples olhar seria capaz de
dizer aquilo que nem o maior dos poetas poderia com palavras
expressar.
Houve um tempo, houve sim, mas passou, e eu acordei, e vi que
durante a dura caminhada da vida jamais encontrara pessoa de
tamanha expressão.
Houve um tempo em que cego deixei de enxergar tudo o que estava
a minha volta.
Houve um tempo em que surdo deixei de ouvir o que meu coração
me dizia.

Hoje é tempo de mudo…me arrependo e não tenho palavras que

descrevam a dor que me persegue, a saudade que me alimenta, o
amor e o carinho que me cerca e a esperança que explode em meu
peito a cada vez que pronuncio o teu nome.

Rafael Galiza de Azevedo





Talvez

8 06 2009

Não sei dizer
Talvez um dia
Talvez nunca saiba
Talvez a vida diga
Talvez o coração conte
Talvez seja sempre talvez
Talvez o mundo te mostre
Talvez ele mesmo te esconda
Talvez ele fale, talvez se cale
Talvez o céu traduza
Talvez o mar sussurre
Talvez a terra faça brotar
Um simples dizer
Que diga
Que fale
Que sinta
Que expresse
Que mostre…
…que eu te amo.

Rafael Galiza de Azevedo





Se um dia

8 06 2009

Se o mundo não mais se abrir
Se a vida deixar de sorrir
Se a felicidade não mais estiver presente
Lembre-se que jamais estarei ausente.

Se um dia o soberano mundo te excluir
Se um dia a bela vida se extinguir
Se em algum momento se sentires sós
Lembre-se que jamais serás tu e sempre seremos nós.
Se a cada passo sentires o caminhar contrário
Se a cada mergulho sentires a correnteza te levar
Se a cada vôo sentires o vento a te desviar
Lembre-se que onde quer que estejas, eu estarei lá.
Lembre-se simplesmente, que o que nos une é algo maior que a
própria existência, e que essa se eliminará se um dia vier a nos
separar.

Rafael Galiza de Azevedo





Quero ser mais

8 06 2009

Quero mais, ser mais, muito mais.
Mais que as mãos que acariciam seus pêlos,
Que desenham teu corpo

Que aquecem teu desejo
Que calam teu silêncio
Que despertam seu prazer.
Quero mais, ser mais, muito mais.
Mais que estes lábios que te beijam
Que suam em tua presença
Que sugam o sedoso tecido de tua pele
Que percorrem o sabor doce e arrebatado de teu ser
Que penetram seus sentidos mais íntimos.
Quero mais, ser mais, muito mais.
Mais que os olhos que a ti penetram
Que se segam no desejo que me aflige
Que te buscam a cada segundo de tua ausência
Que te encontram no cair da noite, no erguer de um novo dia.
Quero mais, ser mais, muito mais.
Mais que posso ser, mais que imaginei, mais que um dia sonhei ser,
mais que poderia alcançar.
Quero mais, ser mais, muito mais.
Mais que o destino permite, mais que nele esteja escrito, para que
possa ser um pouco do tudo que mereces.

Rafael Galiza de Azevedo