Nem tudo é fácil…

24 06 2009

É difícil fazer alguém feliz, Assim como é fácil fazer triste.

É difícil dizer eu te amo, Assim como é fácil não dizer nada.

É difícil ser fiel, Assim como é fácil se aventurar.

É difícil valorizar um amor, Assim como é fácil perdê-lo para sempre.

É difícil agradecer por hoje, Assim como é fácil viver mais um dia.

É difícil abrir os olhos e enxergar o que de bom a vida te deu, Assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.

É difícil se convencer de que se é feliz, Assim como é fácil achar que sempre falta algo.

É difícil fazer alguém sorrir, Assim como é fácil fazer chorar.

É difícil se pôr no lugar de alguém, Assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.

É difícil ver o trem partindo, Assim como é fácil pedir para ficar quem quer te levar.

Se você errou, Peça desculpas!

É difícil pedir perdão?

Mas quem disse que é fácil ser perdoado?

Se alguém errou com você, Perdoa-o!

É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo, Diga!

É difícil se abrir?

Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, Ouça!

É difícil ouvir certas coisas?

Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama,

Ame-o!

Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida, mas com certeza nada é impossível!

Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas também tornemos sonhos em realidade!

Cecília Meireles





A arte de ser feliz

8 06 2009

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles