Sonhos que sonhamos

6 07 2009

Sonhos que são sonhados,
não devem ser abandonados…
devem ser, talvez, arquivados,
para depois serem encontrados.
Sonhos lindos que sonhamos,
de um amor que idealizamos…
Não aconteceu,
mas o sonho não morreu.
Sempre ficará pendente,
aguardando somente
o encontro que acontecerá…
Quando? A sorte dirá…
Só não podemos desistir,
com certeza nosso amor vai vir…
Talvez em garboso corcel branco,
talvez em um prosaico jegue manco…
Que chegue… que venha…
e que ninguém intervenha…
pois será a realização de um sonho de amor…
e trará para a vida mais calor…

Marcial Salaverry





A amizade

6 07 2009

O amigo de vocês
é a necessidade de vocês saciada.
É o terreno onde semeiam com amor
e colhem agradecendo.
Ele é a sua mesa e a sua moradia,
pois, com fome, nele vocês se refugiam
e o procuram para a paz  de vocês.
Se o amigo lhes segreda seu pensamento,
não lhes escondam o próprio.
Quando ele se cala,
o coração de vocês não cessa de ouvi-lo,
pois na amizade, qualquer pensamento,
desejo, esperança, nasce em silêncio
e se comunica com alegria.
Se vocês se separam do amigo,
não se encham de dor, pois sua ausência
iluminam vocês naquilo que mais
amam nele.
Que não haja na amizade outro objetivo
do que desenterrar-se mutuamente
no espírito.
Partilhem as alegrias
sorrindo na doçura amiga,
pois no orvalho das pequenas coisas
o coração descobre seu amanhecer
e se conforta.

Gibran Khalil Gibran





Nem tudo é fácil…

24 06 2009

É difícil fazer alguém feliz, Assim como é fácil fazer triste.

É difícil dizer eu te amo, Assim como é fácil não dizer nada.

É difícil ser fiel, Assim como é fácil se aventurar.

É difícil valorizar um amor, Assim como é fácil perdê-lo para sempre.

É difícil agradecer por hoje, Assim como é fácil viver mais um dia.

É difícil abrir os olhos e enxergar o que de bom a vida te deu, Assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.

É difícil se convencer de que se é feliz, Assim como é fácil achar que sempre falta algo.

É difícil fazer alguém sorrir, Assim como é fácil fazer chorar.

É difícil se pôr no lugar de alguém, Assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.

É difícil ver o trem partindo, Assim como é fácil pedir para ficar quem quer te levar.

Se você errou, Peça desculpas!

É difícil pedir perdão?

Mas quem disse que é fácil ser perdoado?

Se alguém errou com você, Perdoa-o!

É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo, Diga!

É difícil se abrir?

Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, Ouça!

É difícil ouvir certas coisas?

Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama,

Ame-o!

Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida, mas com certeza nada é impossível!

Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas também tornemos sonhos em realidade!

Cecília Meireles





Amar Bonito

19 06 2009

Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.

Tenho visto muito amor por aí, Amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebeu ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor.

Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reinvindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.

Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito?

De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível? Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.

Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.

Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre.

Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter.

Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos) :não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.

Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente.

Jogue para o alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança. Sem medo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade.

Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor,ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca, deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser.

Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.

Arthur da Távola





Tempo de mudo

8 06 2009

Houve um tempo, em que havia um sorriso no ar, um brilho no
olhar, um desejo de estar.
Houve um tempo em que estrelas circulavam nossos sonhos, em
que a lua refletia letras de canções que para mim serão eternas.
Houve um tempo em que o silêncio de nossos corpos espelhavam o
calor de nossas palavras.
Houve um tempo ainda, em que um simples olhar seria capaz de
dizer aquilo que nem o maior dos poetas poderia com palavras
expressar.
Houve um tempo, houve sim, mas passou, e eu acordei, e vi que
durante a dura caminhada da vida jamais encontrara pessoa de
tamanha expressão.
Houve um tempo em que cego deixei de enxergar tudo o que estava
a minha volta.
Houve um tempo em que surdo deixei de ouvir o que meu coração
me dizia.

Hoje é tempo de mudo…me arrependo e não tenho palavras que

descrevam a dor que me persegue, a saudade que me alimenta, o
amor e o carinho que me cerca e a esperança que explode em meu
peito a cada vez que pronuncio o teu nome.

Rafael Galiza de Azevedo





Talvez

8 06 2009

Não sei dizer
Talvez um dia
Talvez nunca saiba
Talvez a vida diga
Talvez o coração conte
Talvez seja sempre talvez
Talvez o mundo te mostre
Talvez ele mesmo te esconda
Talvez ele fale, talvez se cale
Talvez o céu traduza
Talvez o mar sussurre
Talvez a terra faça brotar
Um simples dizer
Que diga
Que fale
Que sinta
Que expresse
Que mostre…
…que eu te amo.

Rafael Galiza de Azevedo





Se um dia

8 06 2009

Se o mundo não mais se abrir
Se a vida deixar de sorrir
Se a felicidade não mais estiver presente
Lembre-se que jamais estarei ausente.

Se um dia o soberano mundo te excluir
Se um dia a bela vida se extinguir
Se em algum momento se sentires sós
Lembre-se que jamais serás tu e sempre seremos nós.
Se a cada passo sentires o caminhar contrário
Se a cada mergulho sentires a correnteza te levar
Se a cada vôo sentires o vento a te desviar
Lembre-se que onde quer que estejas, eu estarei lá.
Lembre-se simplesmente, que o que nos une é algo maior que a
própria existência, e que essa se eliminará se um dia vier a nos
separar.

Rafael Galiza de Azevedo





Quero ser mais

8 06 2009

Quero mais, ser mais, muito mais.
Mais que as mãos que acariciam seus pêlos,
Que desenham teu corpo

Que aquecem teu desejo
Que calam teu silêncio
Que despertam seu prazer.
Quero mais, ser mais, muito mais.
Mais que estes lábios que te beijam
Que suam em tua presença
Que sugam o sedoso tecido de tua pele
Que percorrem o sabor doce e arrebatado de teu ser
Que penetram seus sentidos mais íntimos.
Quero mais, ser mais, muito mais.
Mais que os olhos que a ti penetram
Que se segam no desejo que me aflige
Que te buscam a cada segundo de tua ausência
Que te encontram no cair da noite, no erguer de um novo dia.
Quero mais, ser mais, muito mais.
Mais que posso ser, mais que imaginei, mais que um dia sonhei ser,
mais que poderia alcançar.
Quero mais, ser mais, muito mais.
Mais que o destino permite, mais que nele esteja escrito, para que
possa ser um pouco do tudo que mereces.

Rafael Galiza de Azevedo





A arte de ser feliz

8 06 2009

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles





Ao seu lado

8 06 2009

Ao seu lado,
Poderia ser eterno
Para te olhar, pra te ter bem perto.
A sua boca,
Poderia ser constante.
Pra ter beijar, pra te sentir
Ao seu corpo,
Poderia ser vagaroso
Pra te tocar, a cada nuance.

Amor pequeno
Não é bom amor
Amor sempre é grandioso
Não há superlativos
Ou plural
Amor basta como palavra
É amor, pronto acabou.

Ao seu riso
Poderia ser infinito
Pra ficar sempre olhando admirado
Aos seus braços pra sempre quero ficar
Pra me aquecer, pra te ter somente
Ao meu amor quero pra ti também
Porque amor demais nunca é exagero
E se tiver que dizer vinte vezes dez a palavra amor,
Direi
Porque não há outro sentimento por você
A não ser esse
De te amar sempre mais e mais.

Luciano Carlos Pereira